sábado, 14 de novembro de 2015

Exercícios erradas vs variações

Podemos afirmar que existe somente um versão correta de cada exercício? É válido modificar algum movimento para alguma pessoa? Quando que passamos de adaptação para invenção de exercícios?



Toda vez que pensamos em algum exercícios temos que pensar qual o propósito dele e se ele é adequado para aquela pessoa.

Vamos usar um agachamento ele provavelmente é indicado para todas as pessoas, mas quem possuí um problema articular nos joelhos pode realizar ele de maneira isométrica, quem possuí outros problemas associados pode realizar ele sem sobrecarga. Mas de certo é que a maior parte das pessoas irá se beneficiar se utilizar o agachamento de maneira adequada ao seu perfil.

Da mesma forma usando o agachamento como exemplo, poderíamos citar uma redução de amplitude, que pode ser benéfica para alguns tipos de problemas nos joelhos (pois diminuiria a compressão e o estresse nos tendões), mas por outro lado essa mesma técnica é usada incorretamente por pessoas que priorizam um aumento exacerbado de carga em redução a amplitude do movimento realizado.

Falando em amplitude, qual a amplitude correta? 90 graus? ou bumbum no chão? Quando pensamos em resultados funcionais e performance o achamento completo se mostra superior nas pesquisas, mas será que o aluno está preparado para manter uma postura adequada durante todo movimento? Sem excesso de compressão na coluna? Conseguindo ficar ereto o tempo todo? Idealmente o melhor seria iniciar trabalhos de melhora da mobilidade articular e realizar um trabalho com o agachamento a 90 graus progressivo, além de permitir uma aprendizagem adequada da biomecânica, onde o movimento é realizado com flexão simultânea dos joelhos e quadril, sem modificar a posição neutra da coluna e os joelhos ficam em cima da linha dos pés (repare que não falei atrás e não falei a frente).

Quando falamos em modificações nos exercícios clássicos, elas tem que atender a uma necessidade específica da pessoa. E devemos realizar essas modificações sempre que necessarias, pois elas prezam não somente pelo resultado mas pela segurança.

Em contrapartida realizar movimentos de maneira inadequada buscando algum tipo de resultado milagroso, pois se "sente" um estimulo diferenciado, além de arriscado é contraprodutivo. Mas como eu posso afirmar com 100% de certeza que é contraprodutivo?

Basicamente todos movimentos que o ser humano consegue realizar já foram testados através de eletromiografias, que medem a ativação das musculaturas, isso possibilita por tanto identificar o quanto uma musculatura é mais ativada em X ou Y exercício.

Isso nos permite intender como alguns fatores em cada exercício contribuem para uma maior ativação, como a amplitude, Além da ativação precisamos compreender que a carga a ser utilizada no exercício é um parâmetro limitante nessa estimulação. Por exemplo um desenvolvimento se equilibrando em 1 pé só vai estimular menos os ombros (sendo a instabilidade um dos fatores) do que um desenvolvimento com ambos pés no chão.

Por isso ao vemos qualquer adaptação é fácil de interpretar que se tem menor estabilidade, menor amplitude ou menor carga, a chance desse movimento gerar menos resultados que um exercício tradicional é de 100%.
E muito movimentos como por exemplo a puxada atrás da nuca e desenvolvimento nuca, que são variações "clássicas" possuem um nível de ativação muito semelhante a versão tradicional, mas de maneira geral os educadores físicos evitam essas variações, pois o custo x benefício delas é pior que o movimento tradicional.
O ser humano de maneira geral tem uma forte influência das suas crenças (efeito placebo, onde se você acredita que vai funcionar, acaba no fim por funcionar), mas precisamos olhar as coisas de uma maneira mais cientifica afim de melhorar nossos resultados e a segurança do treinamento.

Abraços e Bons Treinos!

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